24 de outubro de 2011

Alagoas ganha a primeira igreja para lésbica, gay e bissexual

 Comunidade Cristã Nova Esperança é divulgada pelas redes sociais
 
 
Depois de conquistar na Justiça o direito de formalizar uma relação homoafetiva, de adotar crianças e de herdar direitos previdenciários, a comunidade alagoana de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trangêneros (LGBT) contabiliza mais uma vitória na luta pelo fim do preconceito. Isso porque, desde meados deste ano, o Estado possui uma igreja criada exclusivamente para acolher pessoas que sentem desejo pelo mesmo sexo, já que ao contrário das demais, nela os homossexuais não são vistos como pecadores ou indignos de buscar a salvação eterna.
 
 
Batizada de Comunidade Cristã Nova Esperança (CCNE), segundo constatou a reportagem, a igreja destinada a homossexuais chegou acompanhando a febre de denominações religiosas inclusivas, “que não tratam e nem vêem a homossexualidade como doença a ser curada”, segundo evidencia o antropólogo Marcelo Natividade, em sua tese de doutorado produzida para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ainda sem sede própria, ela é composta 99,99% pelo público LGBT, e funciona na residência de um dos seus criadores, em Maceió (AL), cujo contato pode ser feito por meio do twitter @CCNEMaceio e pelo Orkut.
 
 
Com o slogan “uma igreja que acolhe a diversidade humana”, seus integrantes se utilizam da Bíblia para afirmar que "Deus não faz acepção de pessoas”, justificando que Ele acolhe a todos, sejam eles heterossexuais ou homossexuais. Realidade verificada por um dos membros da igreja, que mesmo preferindo não se identificar, cita o livro de Eclesiastes para justificar que Jesus Cristo acolhe a todos, independente da sua orientação sexual. “Se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará?”, cita o fiel entrevistado por nossa equipe de reportagem, ao salientar que “este trecho da Bíblia seria a prova de que não existem diferenças de gênero perante Deus, principalmente quando duas pessoas se amam”.
 
 
Chocando ou não os mais conservadores, principalmente àqueles que têm atitudes homofóbicas, os freqüentadores da CCNE afirmam que a igreja foi criada por pessoas cansadas do preconceito e da intolerância, a exemplo do reverendo Troy Perry, primeiro pastor assumidamente homossexual, que em 1968 iniciou a obra de pregação do evangelho para Gays, Lésbicas Bissexuais e Transgêneros. Para isso, eles não se preocupam em driblar o versículo 22 do capítulo 18 de Levítico, onde está escrito que “é uma abominação deitar com o homem, como se fosse mulher”. Isso porque, segundo defendem os integrantes da mais nova denominação religiosa alagoana, “Deus não faz acepção de pessoas”, como afirma o versículo 34 do capítulo 10 do livro Atos dos Apóstolos.
 
 
Amparados pela Lei 
 
Ainda de acordo com um dos integrantes da Comunidade Cristã Nova Esperança, que também preferiu o anonimato, a criação da Igreja está amparada na Constituição Federal, que em seu artigo 5º estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo a proteção aos locais de culto. “Nossa igreja evangélica pentecostal é destinada para àqueles que são excluídos e também buscam salvação, pois temos convicção que os homossexuais, assim como os heterossexuais, também têm direito a louvar a Jesus Cristo”, defende, ao informar que a igreja foi criada pelo pastor Pr. Presidente Justino Luiz, em São Paulo (SP), onde está situada a sede internacional.
 
 
Segundo detalhou o integrante da CCEN em entrevista ao Tudo na Hora – que visitou o templo com a condição de não identificar os fiéis – , denominações religiosas destinadas ao público LGBT  foram criadas nos Estados Unidos da América (EUA) e no ano de 2002 chegaram ao Brasil, sendo a primeira delas a Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM). Quanto à Comunidade Cristã Nova Esperança, além de São Paulo e Alagoas, ela já está presente no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Rio de Janeiro e no Maranhão.
 
 
Práticas adotadas 
 
Com relação às práticas adotadas, são realizados cultos assim como as demais igrejas evangélicas espalhadas por todo o Estado. Com foco na teologia inclusiva, o integrante da CCNE explicou a nossa equipe de reportagem que “todos são bem-vindos, independente da sua orientação sexual, cor, raça, já que a igreja acolhe toda a diversidade humana, sempre pregando uma mensagem de amor, alegria, vida, vitória, conquista, dedicação e celebração”, evidenciou.
 
 
O integrante da CCNE destacou que são realizados cultos de Intercessão, da Vitória e de Louvor e Adoração. Também são realizadas consagrações e celebração da Santa Ceia, onde todos os fiéis também contribuem com o seu dízimo mensal, assim como ocorre em todas as igrejas espalhadas pelo mundo. “A contribuição é espontânea e tem como foco ajudar nas despesas necessárias à realização das reuniões. Mas o que queremos é oportunizar um espaço de oração e encontro com Deus para àquelas pessoas que são vítimas do preconceito e se sentem marginalizadas, pois em nossos encontros todos são iguais e bem vindos, inclusive os heterossexuais que saibam conviver com a diversidade”, sentenciou.
 
 
Ele lembrou que dois alagoanos radicados no Rio de Janeiro puderam se casar na Comunidade Cristã Nova Esperança da Vila Valqueire. Bruno Antônio Bállico, 18 anos, e João Lourenço Neto, 27 anos, migraram de Alagoas e sacramentaram o relacionamento homoafetivo que ambos mantinham em abril deste ano.
 
 
 
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